“A cena resiste” é a tentativa de expor em fotografias como se articula, se apresenta e sobrevive a cena Rock de Juiz de Fora partindo de três bandas específicas: Contratempo, Coroña e Mauloa. 
Trabalhar as fotografias não só como documentos históricos, mas também como arte, esse é o objetivo desse trabalho. Portanto, não esperem desse humilde interlocutor um trabalho de fotojornalismo. Acredito que se analisarmos cada uma dessas fotos individualmente, muito pouco elas poderão contar. A não ser o que acontece ali, naquela fração de segundo que eu congelei. Mas juntas e analisadas em sequência elas contam com detalhes os primeiros passos, as dificuldades, os processos, os prazeres e o amadurecimento de uma banda. 
Consegui criar uma linha narrativa utilizando imagens abstratas, fotografias que fogem do convencional e o mais importante, conectando-as em uma única exposição sem que todas sigam necessariamente a mesma linha estética. Flusser e Rubens tinham razão, a fotografia está além do racional e do documental. Ela abre precedentes para vários tipos de experimentações. Mas por uma coisa eles não esperavam, é possível fazer um trabalho totalmente artístico e jornalístico ao mesmo tempo. 
O que fiz aqui foi jogar o assunto no ar, agora cabe a cada um interpretá-lo e continuar influindo da sua maneira. O horizonte é vasto e ainda tem muito história pra ser contada, mas isso é conversa pra outro momento, por hora, a cena resiste! 
A exposição foi apresentada como Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da UFJF.

"(...) a filosofia da fotografia é necessária porque é reflexão sobre as possibilidades de se viver livremente num mundo programado por aparelhos. Reflexão sobre o significado que o homem pode dar à vida, onde tudo é acaso estúpido, rumo à morte absurda. Assim vejo a tarefa da filosofia da fotografia: apontar o caminho da liberdade.” (FLUSSER, 1985, p.41) 
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